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No próximo domingo, 10 de maio, quando é comemorado o Dia das Mães, algumas relações ganham ainda mais significado. No Mercadão de Coqueiros, em Florianópolis, existem mães que não celebram apenas com abraços e mensagens carinhosas, é que elas dividem o balcão, as decisões e a rotina de trabalho com os próprios filhos. Entre flores que chegam cedo e prateleiras cheias de cor, duas famílias mostram como a maternidade pode se transformar quando passa a fazer parte do expediente. O resultado é uma convivência intensa, cheia de descobertas e marcada por uma parceria que só existe quando afeto e responsabilidade caminham lado a lado.
Sheila Valmira de Souza Hames vive essa mistura todos os dias. Florista, microempresária e mãe de três filhos, ela trabalha com dois na floricultura da família, o terceiro filho atua numa mecânica. O maior desafio, segundo ela, é equilibrar o papel de mãe e o papel de profissional.
“No trabalho eu preciso ser profissional e não mãe, e isso é o mais difícil. Às vezes quero dar carinho quando fui firme demais ou quando eles erram, mas ali não é o momento. E em casa ainda precisamos conversar sobre o que não saiu bem no dia. Mesmo assim, tudo vale a pena quando um cliente elogia a educação e a postura deles. Aí eu vejo que o esforço faz sentido”, compartilha a florista.
A mãe do Kaique e do Henrique conta que foi observando a postura deles no dia a dia que percebeu que eles tinham se tornado profissionais de verdade. “Os clientes admiram a educação deles, o jeito que eles são respeitosos, atenciosos com a profissão, com o atendimento, com o cuidado com as flores”, diz. Sheila também se surpreende quando eles a corrigem com segurança. “Às vezes eles até me dão um toque: ‘mãe, tu fez errado’. E eu, como mãe, às vezes acho que eles são pequenos ainda. Aí vejo eles atendendo, conversando com cliente ou fornecedor, e percebo que cresceram bastante”, destaca.
Kaique Richard Hames, de 21 anos, confirma que a convivência profissional com a mãe é intensa, mas cheia de aprendizado. “É uma experiência de aprendizado constante e muita parceria”, afirma o jovem que está cursando Ciência da Computação. Ele lembra que separar os papéis no começo foi difícil, mas a rotina criou uma sintonia própria e hoje compreende que no trabalho não tem passada de mão na cabeça, mas em casa ela é mãe.
“Na floricultura, não vendemos apenas plantas, vendemos sentimentos e momentos especiais. Ela me ensinou que, mesmo quando estou cansado, o padrão de qualidade não pode cair”, salienta. Para Kaique, a parceria funciona porque ambos já sabem o que o outro precisa fazer e essa sintonia foi se criando na prática, resolvendo problemas conforme eles aparecem.
O irmão mais novo, Henrique Richard Hames, de 19 anos, também vive essa experiência de perto. Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, ele vê no trabalho com a mãe uma oportunidade de convivência e aprendizado. “Trabalhar com a minha mãe é uma experiência muito boa, porque consigo passar mais tempo com ela. Temos uma parceria no trabalho e, além disso, aprendo muito com a experiência dela”, afirma.
Segundo ele, a maior diferença nessa relação é perceber o lado profissional que não aparecia em casa. “Ela é mais firme e detalhista no trabalho. Em casa eu sempre via o lado mais carinhoso e protetor, e no trabalho conheci um lado mais profissional, exigente e focado. E mesmo com opiniões diferentes às vezes, conseguimos nos organizar e resolver as coisas juntos. Isso mostrou que, além de mãe e filho, somos parceiros no trabalho”, completa.
A poucos passos dali, entre canetas coloridos e objetos de papelaria, outra relação familiar floresce. Eva Fátima de Souza sempre teve uma relação de parceria com o filho Lucas, e isso se refletiu naturalmente quando decidiram abrir juntos um negócio próprio. Para ela, trabalhar com o filho nunca foi um desafio, mas uma extensão da vida que já construíam. “Como sempre houve muita parceria ao longo da vida, foi mais um projeto que desenvolvemos juntos do que um desafio. E essa confiança começou cedo, desde o momento em que ele abriu o próprio escritório de design e iniciou a carreira profissional como designer”, conta.
Eva destaca que o que mais a surpreendeu foi a rapidez e a precisão com que Lucas conduziu o nascimento da loja. Ela viu no filho um adulto capaz de cuidar de cada etapa com maturidade. “Foi admirável ver a agilidade como o projeto foi desenvolvido, com pouco tempo e muita precisão no que se precisava fazer”, diz. Atualmente, Eva se dedica ao atendimento e à curadoria dos produtos, enquanto Lucas é responsável pela parte administrativa e financeira.
Lucas, de 34 anos que é designer gráfico e jogador de poker, salienta que trabalhar com a mãe é quase uma continuação natural da vida. “Como sempre nos ajudamos muito, é natural. O melhor dessa relação é saber que estamos trabalhando em algo que já foi um sonho para ela”, afirma.
O filho da Eva não vê uma relação de chefia entre eles, mas reconhece a dedicação que sempre viu em casa e agora vê na loja. “Sempre a vi dedicada em suas funções em ambos os locais e fico feliz em vê-la fazendo algo que gosta muito também em seu trabalho. E acompanhar a dedicação, cuidado, carinho e empenho em cada etapa nesse projeto que saiu do papel em dois meses, e ver como tudo está funcionando bem é muito significativo”, completa.
Essas são apenas duas histórias, dentre tantas, que mostram que trabalhar em família é um exercício diário de confiança, respeito e reinvenção. No Mercadão de Coqueiros, mães e filhos seguem construindo negócios e relações que crescem juntas, como tudo que é cuidado com afeto.
Crédito divulgação
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