
Uma bicicleta pode percorrer quilômetros. Uma mensagem, quando chega ao público certo, pode atravessar décadas. Foi com essa proposta que Chapecó recebeu, nesta segunda-feira (5), a largada do Respira SC, projeto que une saúde, educação e esporte para alertar crianças e adolescentes sobre os riscos dos cigarros convencionais e eletrônicos.
A primeira atividade ocorreu na Escola de Educação Básica Pedro Maciel, onde estudantes participaram de um encontro com médicos e integrantes do projeto antes da saída dos ciclistas. A ação integra a Semana Estadual de Combate às Doenças Pulmonares e conta com a participação da Federação Unimed Santa Catarina, da Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia (ACAPTI) e de outros parceiros.
O projeto nasceu diante de uma preocupação crescente entre especialistas, o avanço do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Além de apresentar os riscos da nicotina, o Respira SC propõe o esporte como contraponto à dependência e como caminho para escolhas capazes de proteger a saúde no presente e no futuro.
ANTES DA PRIMEIRA TRAGADA
Coordenador do projeto, o pneumologista Dr. Fabiano Schwingel destacou que a prevenção precisa alcançar os jovens antes que a experimentação se transforme em dependência. Segundo o médico, dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) apontam forte crescimento do tabagismo eletrônico entre jovens. Ele também alertou para o risco de parte desses usuários migrar posteriormente para o cigarro convencional.
“Nós começamos hoje para que, daqui a 20, 30 ou 40 anos, não tenhamos crianças doentes e dependentes. Precisamos combater o tabagismo eletrônico na adolescência agora, antes que essa dependência se estabeleça”, afirmou.
A preocupação aumenta porque a nicotina atinge um organismo ainda em desenvolvimento. Por isso, o projeto leva o debate para dentro das escolas, com linguagem adequada aos estudantes, informação científica e diálogo direto com profissionais da saúde. A programação prevê atividades educativas nas cidades visitadas, com conteúdo sobre pressão de grupo, influência digital, atividade física, dependência e escolhas saudáveis.
INFORMAÇÃO PELO CAMINHO
Médica cooperada da Unimed Chapecó e palestrante na atividade de abertura, a pneumologista Dra. Gabriela Marcolin destacou o caráter educativo da proposta. “Tivemos a honra de iniciar esse projeto aqui na Escola Pedro Maciel. É um pedal anti-vape que percorrerá diferentes regiões de Santa Catarina para conscientizar estudantes sobre a necessidade de combater o consumo do cigarro eletrônico”, disse.
Após a atividade em Chapecó, os ciclistas seguiram para Joaçaba, próxima parada do roteiro. O percurso também passará por Lages, Alfredo Wagner, Florianópolis e Brusque, com encontros em instituições de ensino ao longo da semana.
De acordo com o Dr. Fabiano, a expectativa é alcançar presencialmente entre 2.500 e 3.000 estudantes. Blumenau e Joinville também receberão atividades em outras datas. Em Joinville, a programação está prevista para 6 de novembro. Blumenau ainda terá a data definida. O percurso de bicicleta traduz a mensagem levada às escolas, trocar um hábito que ameaça a saúde por escolhas ligadas ao movimento, à capacidade respiratória e à qualidade de vida. A atividade física aparece, assim, como parte da estratégia de prevenção ao tabagismo e de valorização de hábitos saudáveis.
SAÚDE COMEÇA CEDO
Para o membro do Conselho de Administração da Unimed Chapecó, Dr. Rovani Rinaldi Camargo, ações de prevenção como esta são fundamentais para que as pessoas tenham um futuro mais saudável. “Para a Unimed, é uma satisfação apoiar uma atividade de conscientização contra o cigarro convencional e os cigarros eletrônicos. Quando conseguimos prevenir o consumo, promovemos saúde e evitamos doenças que podem acompanhar essas pessoas durante toda a vida”, ressaltou.
Ele também destacou a união entre médicos, entidades e ciclistas em torno da mesma mensagem. “Temos profissionais que percorrerão o Estado de bicicleta para levar informação diretamente aos jovens. A Unimed Chapecó está junto porque prevenir também é cuidar da saúde da população”, ressaltou.
A cada nova instituição de ensino que o projeto passar, o desafio será transformar informação em consciência. Mostrar para crianças e adolescentes que a dependência pode começar cedo, mas também que existe, antes dela, espaço para escolha, movimento, esporte e cuidado. O Respira SC parte da estrada para chegar onde a prevenção pode produzir seu maior efeito, antes da primeira tragada e a tempo de preservar muitos anos de vida pela frente.
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