
Um recorte político-social da trajetória de Hassis (1926-2001) ganha novas perspectivas na exposição “Antes Que Amanheça”, que abre na quinta-feira, dia 15 de outubro, às 19h, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Com 34 obras entre pinturas, colagens e vídeo, a mostra integra o projeto “Hassis 100 Anos” e propõe uma leitura contemporânea da produção do artista, aproximando questões trabalhadas por ele de reflexões que permanecem presentes no contexto atual.
Com curadoria de Denilson Antonio, Marcello Carpes e Victoria Beatriz, a exposição é resultado de sete meses de trabalho e apresenta uma curada inédita, reunindo obras de diferentes momentos da trajetória de Hassis a partir de aspectos político-sociais. A proposta é evidenciar a produção do artista como um território de reflexão e crítica sobre a extensão de seu tempo, atravessando diferentes camadas poéticas e simbólicas.
Segundo os curadores, a proposta foi construir uma leitura que permitisse compreender determinadas questões que atravessam o tempo. "Ao reunir trabalhos de diferentes momentos da trajetória de Hassis, buscamos justamente criar esse diálogo entre o contexto em que essas obras foram produzidas e o nosso presente. É uma forma de perceber a permanência e a atualidade de determinadas questões na obra do artista", afirma.
“Antes Que Amanheça” integra o conjunto de exposições realizadas ao longo de 2026 em comemoração ao centenário de nascimento do artista e em destaque à contribuição de Hassis para a arte catarinense. Nesse contexto, o projeto expositivo parte do ineditismo da curaria ao reunir trabalhos de diferentes períodos da produção de Hassis com foco nas dimensões político-sociais da obra.
A relação entre diferentes tempos também está presente na expografia. Na sala “Ontemanhã”, o contato com as obras ganha uma dimensão mais intimista, com focos de luz direcionados e uma instalação em vídeo. Parte da exposição também ocupa os espaços Paulo Gaiad e Fernando Beck, criando um percurso por diferentes ambientes da Fundação Cultural Badesc.
Esta é a primeira exposição individual de Hassis na Fundação Cultural Badesc. Porém, antes mesmo da criação da Fundação, em 1991, o artista participou de uma exposição coletiva na Sala Fernando Beck, então localizado na Rua Mauro Ramos e sob responsabilidade do Badesc. Com a criação da Fundação, em 2006, o Badesc transferiu a Sala Fernando Beck para uma instituição, que atualmente constitui a principal sala expositiva.
Os curadores destacam que, ao reunir obras de diferentes momentos e colocá-las em diálogo com o presente, a exposição convida o público a observar a produção de Hassis a partir da relação entre tempo, memória e permanência. “Mais do que revisitar uma trajetória, a proposta é séria como questões presentes na obra estão abertas a novas interpretações”, completam.
“Antes que Amanheça” poderá ser visitado até 25 de novembro, na Fundação Cultural Badesc, localizada na Rua Visconde de Ouro Preto, 216 , no Centro de Florianópolis. A visitação gratuita poderá ser feita de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 16h.
Hassis 100 Anos
Além da exposição que abre na Fundação Cultural Badesc, outras mostras integram a programação dedicada a Hassis em Florianópolis. No Museu Histórico de Santa Catarina, instalado no Palácio Cruz e Sousa, no Centro da cidade, a exposição “Entre o Instante e a Eternidade”, com curadoria de Luciana Paulo Corrêa e Monique Fonseca, pode ser visitada até março de 2027.
Na região continental, a Fundação Hassis, casa onde o artista morou, em Itaguaçu, apresenta “Hassis Brincante”. Inédita e interativa, a exposição, idealizada por Monique Fonseca, propõe um percurso sensorial que aproxima o público do universo poético de Hassis. Já no Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, a exposição “Diários Afetivos”, com curadoria de Alice Viana Bononi, permanece aberta à visitação até 31 de outubro de 2026.
Sobre os curadores
Denilson Antonio, professor, artista, pesquisador, curador, agente cultural, formado em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Santa Catarina – UDESC. Em 2010 ingressou na Fundação Hassis como educador em museus, onde saíram até 2015, nesse ano envolveu a coordenação do setor educativo do Museu Hassis, permanecendo nessa carga até fevereiro de 2019. Foi membro do Conselho Municipal de Cultura – Arte Educação, Coordenador da Rede de Educadores em Museus de 2015 a 2019, hoje atua na rede no conselho gestor. Realizou exposições individuais e participou de diversas conversas coletivas. Em 2022 passou como arte educador na Fundação Cultural Badesc, onde hoje atua como coordenador de Artes e Educação.
Marcello Carpes é curador, artista e educador, atuante em Florianópolis/SC. Sua prática profissional transita entre arte contemporânea, processos educativos e modos de aproximação entre públicos, artistas, obras e instituições. Mestre em Artes Visuais, na linha do Ensino das Artes Visuais, do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais (PPGAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), desenvolve uma pesquisa interessada na mediação como espaço de encontro, experiência e produção de sentidos. Sua atuação compreende a curaria como prática de escuta, construção de relações e criação de dispositivos de encontro com a arte. Nesse percurso, aproxima curaria e educação, buscando construir exposições como espaços abertos às vivências, à multiplicidade de olhares e às diferentes formas de relação com a produção artística.
Victoria Beatriz é curadora, arte-educadora e artista visual. Bacharela em Artes Visuais e graduanda em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Trabalhou na conservação de acervos no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) e no Museu de Imagem e Som (MIS), como estagiária do Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (ATECOR) (2019-2021), integrou o projeto ARKHÉ: Arquivos e Acervos de Artes Visuais (2021–2023), foi assistente de curadoria e produção na Galeria de Arte Helena Fretta e coordenou a Residência Artística e de Pesquisa Paulo Gaiad (2023). Realizou curadoria na exposição “Matéria Prolífica”, do artista Paulo Gaiad, na Fundação Cultural Badesc, fez acompanhamento curatorial na Residência Artística Arsenalia, resultando na curadoria da exposição Modos de Fazer Arsenais, no Centro Cultural Veras e integrou a equipe curatorial da exposição Arquipélagos; memórias líquidas, no MASC. Foi curadora da Galeria Mínima durante o ano de 2025. Atualmente, é arte-educadora na Fundação Cultural Badesc e curadora independente.
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