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O catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto” reúne dez obras selecionadas a partir de um mapeamento com mais de 300 trabalhos de arte pública na cidade. A publicação será lançada em 16 de setembro, mesmo dia da abertura da exposição, na Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú; na programação, gratuita, estão previstas oficinas e visitas guiadas
O catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto” reúne dez obras selecionadas a partir de um mapeamento com mais de 300 trabalhos de arte pública na cidade. A publicação será lançada em 16 de setembro, mesmo dia da abertura da exposição, na Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú; na programação, gratuita, estão previstas oficinas e visitas guiadas

Conhecida internacionalmente por seus gigantescos arranha-céus, praias badaladas e forte apelo imobiliário, Balneário Camboriú esconde uma riqueza simbólica que pulsa longe dos cartões-postais tradicionais. Para resgatar e documentar essa identidade, o Museu a Céu Aberto de Balneário Camboriú (MCA) lança nesta segunda-feira (16 de setembro), a partir das 19h, o catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto”. Idealizado e produzido pela museóloga e curadora Letícia Noveletto, o projeto joga luz sobre dez obras de arte públicas selecionadas a partir de um mapeamento robusto que já catalogou 322 produções espalhadas pela cidade.


O lançamento marca também a abertura de uma exposição homônima que ficará em cartaz até o dia 9 de outubro no MCA, oferecendo visitas guiadas acessíveis com tradução em Libras para a Associação de Surdos local e materiais adaptados para leitores de tela.


O impacto da Lei das Fachadas na estética urbana

Quem passa pelas ruas de BC talvez reconheça algumas das obras de arte que fazem parte da paisagem da cidade há décadas, embora nem sempre conheça seus autores, histórias ou significados. Entre elas, inclusive, têm aquelas que não estão mais onde costumavam estar, como é o caso de O Marambaia, do artista Paulo Siqueira, e da Cascata das Sereias, de Jorge Schroder, duas obras que durante anos integraram a paisagem urbana, foram retiradas de seus locais originais e selecionadas para o projeto, ao lado de obras de outros artistas importante, entre eles Marcelo Urizar, Bruno Thomé, Eduardo Vaso, Fernando Cardoso (Nando), Julia Rodrigues, Luis Felipe Berejuk (Berejuk), Resk e Claudio Vuillerot.


De acordo com Letícia, que também é curadora do projeto, um dos maiores objetivos do “Urbanidades…” é incentivar a valorização da arte que existe ao redor da cidade como parte da memória local. “A intenção é que o registro também provoque uma mudança no olhar de quem circula pela cidade, percebendo as obras não apenas como elementos da paisagem, mas como fragmentos da memória cultural local”, reflete.


Ao reunir fotografias, informações históricas e técnicas, trajetórias dos artistas, entrevistas e relatos sobre os processos criativos, o catálogo contribui para preservar informações, histórias e memórias que permitem que aquela arte continue sendo compreendida ao longo do tempo. “Ultrapassamos a função de um catálogo convencional, porque ele passa a ser uma fonte documental para pesquisadores, estudantes, artistas e moradores interessados em compreender a relação entre arte e território”, conta Letícia. “Preservar uma obra não significa apenas garantir sua permanência física, mas sim todo o histórico dela”, reforça.


Uma cidade além dos arranha-céus

O mapeamento realizado pelo Museu a Céu Aberto, conduzido por Letícia, também revelou uma produção artística urbana maior do que aquela normalmente associada à imagem de Balneário Camboriú. Conhecida pela praia, pela verticalização e pelos grandes empreendimentos, a cidade possui uma outra paisagem formada por centenas de obras que contam histórias relacionadas à pesca, à cultura Hip-Hop, ao grafite, à religiosidade, à natureza, às transformações dos bairros e às próprias relações entre os moradores e os espaços públicos.


Partindo dessa outra paisagem, a seleção das dez obras que integram o catálogo foi feita considerando critérios como relevância histórica, relação com o território, técnicas e linguagens artísticas que, juntos, contam uma história. A intenção foi reunir trabalhos capazes de abordar diferentes capítulos da relação entre arte e cidade, incluindo a presença da Lei das Fachadas, a memória dos monumentos, a efemeridade do grafite, a produção de grandes murais, a identidade local, a presença feminina na arte urbana e as transformações da paisagem.


A arte que veio com a verticalização

Entre os aspectos investigados pelo catálogo está a relação entre a produção artística e a Lei Municipal nº 1.677/1997, legislação de zoneamento que estabeleceu, em um de seus artigos, a obrigatoriedade da instalação de obras de arte na frente, fachada ou jardim de edificações acima de seis pavimentos. O dispositivo ficou conhecido como Lei das Fachadas.


A legislação criou uma relação particular entre arte, arquitetura, construção civil e iniciativa privada, fazendo com que obras de arte passassem a ocupar também os espaços associados ao processo de verticalização da cidade. Para a pesquisa, essa história ajuda a compreender como a legislação deixou marcas na própria identidade visual de Balneário Camboriú.


Ao mesmo tempo, o levantamento sugere novas questões: o que aconteceu com essas obras ao longo do tempo? Quantas permanecem nos locais onde foram instaladas? Quantas foram modificadas ou desapareceram? Assim, a publicação pretende ser também um ponto de partida para futuras pesquisas e ações de preservação.


Diferentes públicos

Durante o período de exposição, o projeto “Urbanidades: nem tudo é concreto” será palco para duas oficinas gratuitas. A de grafite será com Julia Rodrigues, no dia 19 de setembro, no CAPs Infantil, das 13h às 18h; a de escultura, com Jorge Schroder, no dia 26 de setembro, das 14h às 18h, no Instituto Jorge Schroder. As 10 vagas gratuitas de ambas as oficinas estão preenchidas.


Até o dia 10 de outubro, a organização do projeto prevê três visitas guiadas, sendo duas com escolas públicas municipais, e outra com a Associação de Surdos de Balneário Camboriú. Esta última contará com a presença de uma pessoa tradutora de Libras.


O catálogo terá versão impressa e digital acessível, compatível com leitores de tela, ampliando o acesso ao conteúdo por pessoas cegas e com baixa visão. Segundo a pesquisadora, essa medida é especialmente importante porque a publicação é dedicada às artes visuais. “Pensar a acessibilidade nesse contexto significa compreender que a experiência com a arte e com o patrimônio não deve estar condicionada exclusivamente à percepção visual”, afirma.


Após o lançamento, que é gratuito e aberto ao público, a publicação será distribuída gratuitamente para escolas públicas, bibliotecas, universidades, instituições culturais e para a Fundação Cultural de Balneário Camboriú.


Esse projeto é realizado pelo Edital de Concurso Público nº 107/2025 – Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025 com o apoio de Paris Tintas, Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Museu a Céu Aberto.


 
 
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