- 17 de jul. de 2025
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Entre trançados de fibras naturais e histórias ancestrais, nasceu no coração da Aldeia Kondá uma força silenciosa e firme: a Associação Kamé e Kanhru. Mais que um coletivo de artesãos, ela representa a pulsação viva de um povo que decidiu não apenas manter sua cultura, mas também compartilhá-la com o mundo. Nessa travessia, o Sebrae/SC tem sido um parceiro fundamental — um fio que costura possibilidades, forma talentos e amplia horizontes.
A história começa a se desenhar em 2018, quando a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), em diálogo com o Ministério Público Federal, inicia um projeto de resgate e valorização do artesanato indígena kaingang. Com o apoio atuante do Sebrae/SC, o projeto floresce, mesmo cheio de desafios como a troca de lideranças na comunidade que postergou o início do trabalho.
Foi só em junho de 2019 que as oficinas ganharam forma, sempre com respeito ao tempo, a escuta e o ritmo dos povos. O primeiro passo foi ouvir. O segundo, reunir. O terceiro, criar. Nascia então a Kamé e Kanhru — nome que ecoa a ancestralidade dos clãs kaingang e batiza não apenas uma associação, mas uma nova etapa de vida e orgulho para os artesãos. Desde sua fundação, a associação atua com base em pilares sólidos: capacitação técnica, uso de matérias-primas locais, resgate da identidade cultural, padronização e construção de marca. Cada oficina é uma costura entre passado e futuro.
À frente de todo o processo desde as primeiras articulações, está a curadora, consultora credenciada ao Sebrae/SC e especialista em cultura e criação, Silvia Baggio – peça-chave na construção e continuidade do projeto. Ela coordenou as equipes, conduziu oficinas de capacitação, orientou o desenvolvimento dos produtos e garantiu a conexão entre tradição e contemporaneidade nas obras apresentadas. O Sebrae/SC entra nesse processo como um agente essencial de transformação. Não apenas oferece ferramentas de mercado, mas sobretudo escuta, respeita e adapta seus conhecimentos às necessidades da comunidade. Ensinam desde estratégias de precificação até o cuidado estético com tags, embalagens e identidade visual, itens que carregam simbolicamente os valores e histórias de cada peça.
Um objeto artesanal dificilmente compete com um industrial no preço, mas sim, nos valores simbólicos que carregam e fazem dele único, e é nesse ponto que o artesanato da Kamé e Kanhru se destaca: não vende apenas um cesto ou uma peça decorativa, mas entrega a alma de um povo, sua resistência e beleza natural. A associação participou de eventos marcantes como a Mostra de Arquitetura e Design de Chapecó (Decorare), onde o trabalho foi organizado e orientado por profissionais da arquitetura em um espaço inspirado na cultura kaingang. Também esteve presente em exposições como a "Arte Kaingang", promovida pela Humana Sebo e Livraria, oportunidade não só de venda, mas de protagonismo.
Durante a pandemia da COVID-19, mesmo em tempos difíceis, a Kamé e Kanhru conseguiu manter e até expandir sua renda com vendas para espaços como a Casa Wood Ateliê Imobiliário e a Oca Design. As peças não apenas encantaram pelo visual, mas tocaram corações pela carga afetiva e cultural que carregam. Um dos marcos mais simbólicos dessa trajetória é a construção da Casa do Artesão Indígena, idealizada e erguida pelas próprias mãos dos associados. Mais que um espaço físico, ela representa um território de autonomia e expressão, uma casa que abriga sonhos, saberes e dignidade.
Kamé e Kanhru não é só uma associação. É um manifesto de que a cultura vive. Que as mãos indígenas seguem firmes. Que o artesanato é uma forma de falar com o mundo e que com parceria, respeito e escuta — como demonstram o Sebrae/SC e tantas outras mãos amigas — é possível construir caminhos onde antes havia apenas silêncio. Se o Sul do Brasil pudesse sentir, ele hoje sentiria orgulho. Parte desse caminhar ganha um novo capítulo com a participação da Kamé e Kanhru na Exposição Sinta Sul, no Rio de Janeiro. A mostra reúne expressões artísticas e culturais dos três estados do Sul do Brasil e tem como proposta provocar um mergulho sensorial no território, onde revela suas múltiplas vozes, texturas e identidades.
Nesse espaço, os trançados kaingang ganham protagonismo ao lado de outras linguagens e mostram que o Sul não é homogêneo — ele pulsa em diversidade. Para o Oeste catarinense, historicamente distante das grandes vitrines culturais do país, a presença da Kamé e Kanhru representa visibilidade, reconhecimento e conexão. Essa participação transcende a arte: é um marco simbólico de pertencimento, orgulho e afirmação. Ao levar suas criações para além das margens do território, a associação reafirma que tradição também é movimento — e que quando a cultura é respeitada e valorizada, floresce, alcança e transforma.
SOBRE O SEBRAE/SC
O Sebrae/SC comemora, em 2025, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoiando milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.
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