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Com apoio do Sebrae/SC, ZettaPET faz primeira exportação para o Peru e já reúne mais de 1,2 mil usuários em 15 países
Com apoio do Sebrae/SC, ZettaPET faz primeira exportação para o Peru e já reúne mais de 1,2 mil usuários em 15 países

A ZettaPET, empresa de tecnologia criada em Pinhalzinho, no Oeste catarinense, transformou uma ideia concebida há mais de uma década em um produto de inteligência artificial que começa a conquistar mercado fora do Brasil. A empresa realizou, em outubro, sua primeira exportação da plataforma Zlife.pet para o Peru, etapa que abre uma nova frente comercial para a companhia e coloca a solução catarinense no mercado internacional de tecnologia aplicada à saúde animal.


Desenvolvida ao longo de 2025, a Zlife.pet funciona como um copiloto de inteligência artificial para médicos-veterinários. O sistema recebe informações clínicas, sintomas, fotografias, exames e imagens de raio X, cruza os dados com sua base de conhecimento e apresenta hipóteses diagnósticas e sugestões de medicamentos para apoiar a decisão do profissional.


A tecnologia nasceu de uma ideia que o CEO da ZettaPET, Wilson Savegnago, mantinha desde 2012. A execução do projeto, porém, só se tornou possível em 2025, quando a empresa reuniu volume suficiente de informações em outra plataforma do grupo, a ZettaPet. Essa base, combinada com conteúdos de livros e artigos técnicos, passou a alimentar o modelo de inteligência artificial.


“Não queremos substituir o médico-veterinário. O Zlife atua como um copiloto. O profissional informa os sintomas, adiciona exames, fotos ou raio X e recebe uma análise que ajuda a reduzir dúvidas, filas no atendimento e aumentar a precisão durante a consulta”, detalha Savegnago.


A primeira operação comercial internacional ocorreu no Peru, mas o alcance da tecnologia já ultrapassa esse mercado. Na modalidade freemium, a plataforma reúne mais de 1,2 mil usuários distribuídos por mais de 15 países. Colômbia, Portugal e México concentram hoje o maior número de usuários. No Peru, embora a base seja menor, os indicadores de utilização chamaram a atenção da empresa. “Os usuários peruanos apresentam um nível elevado de fidelidade. Eles permanecem mais tempo na plataforma e utilizam o sistema com frequência”, explica o CEO.


Preparação para vender fora do Brasil


O caminho até a primeira exportação passou pelo Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), executado em Santa Catarina pelo Sebrae/SC, com mais de 830 empresas em atendimento no ciclo 2025/2027. Destas, 150 correspondem ao Núcleo de Chapecó.


Durante o atendimento, a empresa trabalhou planejamento de internacionalização, definição de mercados prioritários, público-alvo, modelo de exportação transfronteiriça, estratégias de entrada, formação de preços e canais comerciais. O trabalho também abordou questões técnicas, jurídicas e tributárias relacionadas à venda internacional de soluções digitais.


Para Savegnago, o programa ajudou a transformar uma intenção de internacionalização em uma estratégia comercial. “Não adianta ter o melhor produto se você não sabe colocá-lo no mercado. O PEIEX nos mostrou como fazer isso”, enfatiza.


O gestor de projetos do Sebrae/SC Regional Oeste, Renê Anziliero, avalia que empresas de tecnologia precisam preparar a estrutura comercial com a mesma atenção dedicada ao desenvolvimento do produto. “Uma solução tecnológica pode nascer pronta para atender diferentes mercados, mas a internacionalização exige método. É preciso saber onde entrar, quem será o cliente, como formar preço, quais canais utilizar e quais regras precisam ser observadas. O trabalho desenvolvido com a ZettaPET mostra como essa preparação pode encurtar o caminho entre um produto competitivo e a primeira venda internacional.”


Missões ajudaram a redesenhar o produto


A internacionalização da ZettaPET também ganhou impulso com a participação em missões empresariais. Savegnago frequenta agendas internacionais desde 2015 e atribui a uma experiência no Web Summit Lisboa (Portugal), com apoio do Sebrae/SC, uma mudança decisiva na estratégia da empresa.


“Na primeira vez que tive oportunidade de expor no Web Summit Lisboa, percebi que não conseguiria exportar se mantivesse os mesmos produtos. Foi a partir dessa experiência que tirei o Zlife do papel”, conta.


Segundo ele, as viagens permitem confrontar produto, estratégia e modelo de negócio com demandas encontradas em outros mercados. “Essas experiências me fazem ajustar as velas. Não é reclamando do vento que um barco atravessa o oceano.”


A empresa foi selecionada para uma nova missão empresarial a Portugal, com foco na prospecção de clientes e investidores. Também participa de ações ligadas ao Brasil IT+ e tem em sua agenda a Expo Paraguay de 11 a 13 de novembro, além do Workshop Empresarial CWPS – Commpazz World Pet Summit, promovido pela ApexBrasil, também em novembro.


Savegnago ressalta que recebeu apoio do Sebrae/SC desde a abertura de seu primeiro CNPJ, em 2008, e considera conhecimento e acesso a redes empresariais fatores decisivos para quem pretende crescer. “Empreender no Brasil é nível hard. Nem sempre o apoio de que o empresário precisa está relacionado a dinheiro. Conhecimento e networking fazem muita diferença porque ajudam a tomar decisões melhores e fazem com que o empreendedor não se sinta sozinho.”


A gerente regional Oeste do Sebrae/SC, Marieli Musskopf, sublinha que a presença de empresas da região em mercados externos também altera a perspectiva de crescimento dos negócios locais. “Quando um negócio de Pinhalzinho chega a clientes de outros países, ele mostra que localização geográfica não define o tamanho do mercado. O desafio, também o objetivo do PEIEX, é transformar competência técnica em estratégia comercial, conexão internacional e capacidade de vender”.


 
 
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