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Encontro do Núcleo de Sucessão reuniu empresários e familiares e trouxe dados sobre continuidade dos negócios e impactos de conflitos entre sócios.
Encontro do Núcleo de Sucessão reuniu empresários e familiares e trouxe dados sobre continuidade dos negócios e impactos de conflitos entre sócios.

A segunda edição do Café com Legado do Núcleo de Sucessão da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC) reuniu empresários e familiares na manhã dessa quinta-feira (21), na sede da associação, para discutir sucessão empresarial, governança e a continuidade de empresas. O encontro combinou momentos de networking com conteúdo técnico voltado ao planejamento da transição entre gerações.


A programação contou com a participação da especialista em M&A, direito societário e governança, Carolina Schramm, que abordou a importância do planejamento sucessório empresarial e patrimonial em empresas familiares, bem como a necessidade de institucionalizar práticas de governança corporativa.


Com 22 anos de experiência na área, Carolina apresentou casos práticos e destacou caminhos para estruturar processos sucessórios, definir regras entre sócios e herdeiros, organizar papéis na gestão e adotar instrumentos capazes de aumentar a previsibilidade na condução dos negócios. Segundo ela, a sucessão tende a se tornar crítica quando a empresa depende da figura do fundador e não há um plano claro de transição. A especialista observou que é comum o processo ser adiado por resistência em “passar o bastão”, o que aumenta o risco de conflitos entre herdeiros e sócios.


Carolina ressaltou que a governança começa pela separação entre os interesses da família, do negócio e do patrimônio. Com o avanço das gerações, explicou, as expectativas se diversificam, inclusive entre familiares que não atuam na operação, mas desejam retorno financeiro, o que pode afetar decisões, clima interno e retenção de talentos.


Dados apresentados no encontro indicam que a falta de planejamento sucessório e de governança compromete a continuidade das empresas familiares: 44% desses negócios no mundo não têm plano de sucessão e, no Brasil, apenas 12% chegam à terceira geração, enquanto 3% alcançam a quarta. Carolina também apontou que 41,9% das saídas de sócios ocorreram por conflitos familiares o que reforça a necessidade de estruturar a gestão em três frentes: propriedade, negócio e família.


Para a especialista, empresários, sucessores e sucedidos precisam compreender que o planejamento deve ser preventivo, e não adotado apenas diante de conflitos societários, falecimento ou outras situações capazes de comprometer a continuidade da empresa.


De acordo com o coordenador do Núcleo de Sucessão, Vinícius Barrozi, o Café com Legado é uma extensão dos treinamentos realizados pelo núcleo e tem como objetivo aproximar sucessores e sucedidos no debate sobre empresas familiares. A iniciativa busca envolver não apenas os jovens sucessores, mas também pais, mães e demais familiares que participam da gestão ou da trajetória dos negócios. A proposta é criar um momento de integração, com café da manhã e conteúdo técnico voltado à sucessão familiar. Ele destacou que a sucessão deve ser tratada como parte do planejamento estratégico da empresa, com etapas claras e organização prévia. “Com algumas práticas simples, já é possível começar a trabalhar a governança e identificar os pontos em que geralmente surgem atritos entre as famílias”, afirmou.


 
 
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