- 14 de jun.
- 2 min de leitura

As três mostras dialogam entre si ao destacar trajetórias, territórios, instituições e personagens fundamentais para a compreensão das experiências negras no Sul do Brasil. Se as exposições fotográficas revelam trajetórias individuais e coletivas frequentemente ausentes das narrativas oficiais, a mostra dedicada à Sociedade Kênia Clube amplia essa perspectiva ao evidenciar a importância dos espaços comunitários na preservação da memória e na construção de legados compartilhados.
Em "O Invisível Gaúcho Negro", Eduardo Tavares apresenta imagens produzidas ao longo de décadas de atuação como fotógrafo e documentarista. Seus registros revelam personagens, manifestações culturais, espaços de convivência e experiências que evidenciam a contribuição da população negra para a constituição da identidade gaúcha.
image 23Em diálogo com essa abordagem, "O Invisível Catarinense Negro", de Rony Costa, reúne fotografias que revelam a pluralidade das experiências negras em Santa Catarina. A exposição destaca sujeitos, comunidades, lideranças, práticas culturais e expressões de ancestralidade que participam ativamente da construção da história catarinense, reafirmando a presença negra como parte inseparável da identidade do estado.
Complementando esse percurso, "Sociedade Kênia Clube: Histórias de Permanência" apresenta a trajetória da Sociedade Kênia Clube, de Joinville, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município. Ao longo de seus 65 anos de existência, o clube consolidou-se como um importante espaço de sociabilidade, cultura, celebração e fortalecimento comunitário, tornando-se referência na preservação da memória negra catarinense.
Por meio de fotografias, documentos, registros audiovisuais, depoimentos e objetos, a exposição evidencia a potência de uma instituição que transformou encontros em legado, cultura em patrimônio e convivência em memória coletiva. Sua história demonstra que a permanência não se constrói apenas pela lembrança do passado, mas pela capacidade de transmitir saberes, fortalecer vínculos e projetar futuros.
Mais do que um conjunto de exposições, "Presenças Negras: Memória, Território e Permanência" constitui um convite ao reconhecimento de trajetórias que ajudaram a construir o Sul do Brasil, de territórios marcados pela diversidade cultural e de comunidades que, por gerações, transformaram resistência em criação, pertencimento e legado. Ao reunir diferentes olhares, linguagens e experiências, o complexo expositivo reafirma que a presença negra não ocupa um lugar periférico na história regional. Ao contrário, constitui uma de suas dimensões essenciais, viva e atuante, cujas memórias seguem produzindo sentidos, fortalecendo identidades e inspirando futuros.
%2016_02_56_714b05a1.jpg)


