- 4 de ago.
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Enquanto muitos adolescentes dividem o tempo entre a escola, os amigos e as redes sociais, Melissa Helena Gomes Moreira acrescenta à rotina barras, anilhas e cargas que chegam a 152,5 quilos.
Aos 16 anos, a jovem Mel está prestes a protagonizar um feito inédito em sua trajetória: será a única atleta brasileira da categoria sub-júnior no Campeonato Mundial de Powerlifting de 2026, marcado para 23 de agosto, na África do Sul.
Mel vive uma contagem regressiva que reúne expectativa, treinos intensos e um desafio que vai além do esporte: conseguir os recursos necessários para chegar ao Mundial. Uma vaquinha foi aberta para ajudar a custear sua participação na competição.
A convocação coloca a adolescente catarinense diante das principais promessas mundiais de uma modalidade ainda pouco conhecida no Brasil, especialmente entre jovens da sua idade. No powerlifting, os atletas competem em três movimentos: agachamento, supino e levantamento terra. O resultado considera a soma das melhores marcas obtidas.
Uma adolescente que já coleciona títulos e recordes
Por trás da vaga no Mundial estão quatro anos de dedicação. Mesmo com uma trajetória ainda recente, Mel já é tricampeã catarinense, bicampeã brasileira, duas vezes medalhista sul-americana e medalhista pan-americana.
Ela também é recordista brasileira no agachamento e detém recordes catarinenses no agachamento, no supino, no levantamento terra e no total combinado.
Um dos números que melhor traduz sua evolução está no levantamento terra. Em 2025, durante o Campeonato Brasileiro, Mel levantou 130 quilos. Na temporada seguinte, chegou aos 152,5 quilos — um avanço de 22,5 quilos em aproximadamente um ano.
“Acho até difícil definir o sentimento, mas é muito gratificante, porque existe um trabalho muito duro antes de uma convocação como essa”, conta a atleta.
Tudo começou com um convite despretensioso
A história de Mel no powerlifting não começou em um grande centro esportivo nem a partir de um planejamento familiar. Tudo aconteceu por acaso, depois que uma amiga a convidou para acompanhar um treino na casa de Ana Rosa.
O encontro mudaria o rumo da adolescente que desde a infância, dedicou-se ao ballet clássico. Ana Rosa é uma das referências mundiais da modalidade, com sete títulos mundiais e presença no Hall da Fama da International Powerlifting Federation (IPF).
O que começou como curiosidade transformou-se em disciplina, competições, recordes e, agora, na convocação para representar o Brasil no outro lado do mundo.
Entre o sonho e a passagem para a África do Sul
A vaga foi conquistada dentro da plataforma, mas a participação no Mundial também depende de uma mobilização fora dela. A família abriu uma vaquinha para ajudar a viabilizar a viagem de Mel à África do Sul.
A campanha busca o apoio de pessoas, empresas e instituições para que a jovem possa transformar a convocação em participação efetiva e levar as cores de Santa Catarina e do Brasil à principal competição internacional de sua categoria.
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